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publicado em 05/04/2010 às 09h41
Vamos Salvar o Planeta?
Todo empresário da área industrial é obrigado por lei a tratar e destinar os seus efluentes

Segue abaixo a mais pura e cristalina verdade. Trata-se da sobrevivência do ser humano. Por favor, leiam, divulguem e se possível, tomem providências. Chega de discutir problemas ambientais, precisamos apresentar soluções simples, viáveis, práticas e realistas. Gostaria muito de ter a oportunidade de fazer palestras sobre o assunto em pauta e assim provar que minha tese está amparada por argumentos técnicos bem fundamentados!

As fossas abissais oceânicas, os bolsões vazios provenientes da retirada do petróleo, as falhas geológicas, as áreas desérticas, as crateras geradas pela mineração, são depósitos naturais e ideais para o armazenamento do carbono que está sobrando na atmosfera e causando o Efeito Estufa. Utilizando-se esses locais, poderíamos reconstruir o Período Carbonífero, quando o Planeta teve sua atmosfera mais limpa de toda sua história. Durante séculos, acreditávamos serem os oceanos as lixeiras inesgotáveis e naturais do mundo, crença essa, até certo ponto, razoável, pois através das chuvas, os sais, nutrientes naturais do solo, os compostos de carbono e muitos outros resíduos vão se acumulando nos mares e oceanos, tornando-os cada vez mais saturados e suas águas cada vez mais salinas.

Mas a realidade é bem outra, os mares e oceanos são tão ou mais vulneráveis a poluição que a crosta terrestre. Suas águas precisam de luz, transparência e estarem desintoxicadas para gerarem a flora e a fauna marinhas tão necessárias à vida na terra, nos mares e nos oceanos. As águas, mesmo as salgadas, têm a capacidade de dissolver e incorporar em suas massas gases como oxigênio, o gás carbônico e outros. Essa capacidade aumenta com a pressão e as baixas temperaturas. Quanto maior for a pressão e menor a temperatura, maiores serão as concentrações de dissolução daqueles gases. Nas regiões profundas dos mares e oceanos, possivelmente devido a esses fenômenos, as quantidades de carbono estocadas chegaram a quantidades imensuráveis, a ponto de despertar o interesse das empresas petrolíferas na exploração destas jazidas de carbono. É interessante se notar o fato de que os depósitos, no caso do gás carbônico, não são mais deste tipo de gás, mas sim do metano cristalizado a que os especialistas deram um nome bastante sugestivo, chamando-o de hidratos de carbono. O gelo que queima. Esta seria a primeira descrição da combinação cristalizada entre moléculas de metano e moléculas de água, encontrada em regiões profundas dos oceanos. Os hidratos de metano já são considerados, pelos pesquisadores, a principal fonte de energia para o século XXI. Entretanto, a exploração desta fonte de energia pode provocar o maior desastre ecológico de todos os tempos devido à liberação do gás metano pela rápida desidratação do mesmo. As chamadas regiões abissais oceânica detêm cinquenta e cinco por cento de todo o carbono presente no Planeta Terra.

Daí vem-nos a ideia: Se as regiões abissais oceânicas são os depósitos naturais do carbono, podemos aproveitar esses espaços gigantescos e ainda disponíveis para aprisionarmos o gás carbônico, o principal causador do efeito estufa, de forma indireta. Usaremos, para esse fim, a energia solar, a fotossíntese e a água para cultivarmos gigantescas florestas, biomassa abundante que seria enfardada em containers de concreto armado, de plástico ou qualquer outro material resistente à corrosão e, com o auxilio de grandes embarcações, seriam transportados para aqueles locais e submersos por ação da gravidade. Os containers ou invólucros da biomassa deverão possuir orifícios para entrada da água e equilíbrio das pressões internas e externas para prevenir possíveis esmagamentos dos containers e facilitar a submersão e permanência dos mesmos naqueles locais.

A grande vantagem de se utilizar biomassa para capturar o gás carbônico é o fato de que só será capturado o carbono, deixando-se livre o oxigênio. Para cada 12 toneladas de carbono capturadas, via biomassa, serão liberadas 32 toneladas de oxigênio para atmosfera, e, muito importante, 44 toneladas de CO2, gás carbônico, principal gás causador do efeito estufa, deixariam de existir na atmosfera que respiramos. Serão, de certa forma, verdadeiros depósitos geológicos, tratam-se de fossas geológicas que se vierem a sofrer abalos sísmicos ou acomodação de camadas, iriam soterrar esses containers, tornando-os ainda mais seguros com relação ao meio ambiente. Em grandes profundidades abissais não há desenvolvimento de vida, semelhante a da superfície, capaz de gerar reações aeróbias ou anaeróbias, portando, não havendo degradação desta biomassa, não haverá geração de gases e a atmosfera estaria livre da massa de gases, correspondente aquela biomassa, que fatalmente seria gerado se aquela quantidade de biomassa continuasse sobre a superfície terrestre, entrasse em decomposição natural ou fosse incinerada.

Se a cada colheita da biomassa se plantasse outra, gradualmente, o gás carbônico estaria sendo capturado e, indiretamente, depositado nestes depósitos geológicos sob a forma de carbono com uma consequente limpeza gradativa da atmosfera. Se a captura direta do gás carbônico se torna inviável devido as suas condição de gás, capaz de ocupar grandes volumes, desenvolver grandes pressões, além de outros riscos óbvios que não enumeraremos, vamos aprisionar o carbono, matéria prima geradora do referido gás, cujo excesso na atmosfera se tornou um inimigo implacável, o principal gerador do Efeito Estufa que mais cedo ou mais tarde irá eliminar a vida animal da face da terra se não for contido.  Os combustíveis fósseis poderiam continuar sendo explorados e utilizados porque estaria havendo uma reciclagem, uma correta destinação do efluente gasoso gerado na exploração deste tipo de energia, por via indireta, sendo devolvido ao seu local de origem, às profundezas da crosta terrestre. Usando-se o mesmo raciocínio, a mesma lógica, a biomassa poderia ser armazenada, aproveitando-se os espaços disponíveis deixados pela exploração do petróleo. A retirada do petróleo deixa grandes vazios que são preenchidos com água. Por que não ocupar esses espaços com biomassa? A mineração cria gigantescas crateras que, muitas vezes, são simplesmente abandonadas sem passarem por qualquer processo de remediação. Por não aproveitá-las?  As falhas geológicas, gigantescos espaços, muitas vezes continentais, poderiam ser utilizadas como depósitos de biomassa. Por que não fazê-lo?

De forma idêntica, poderiam ser armazenadas grandes quantidades de biomassa nas regiões desertas, sob suas areias escaldantes, locais desprovidos de água. Onde não há água não há vida, onde não há vida não há decomposição de matéria orgânica, não havendo decomposição de matéria orgânica não há formação de gases do efeito estufa. A mãe natureza, via carbono, forneceu tanta riqueza ao homem durante o século passado. Por que não devolver-lhe, durante este século, parte dessa riqueza, retornando parte desse carbono ao seu local de origem, de onde nunca deveria ter sido retirado, às profundezas da crosta terrestre, recompondo assim o Período Carbonífero? Dessa forma se fecharia um círculo, origem, exploração e destinação adequada do efluente produzido pela industrialização do petróleo. Dando um destino adequado ao lixo ou efluente industrial, ou mais precisamente ao carbono, matéria prima do gás carbônico, o meio ambiente agradeceria, o mundo continuaria respirando, voltava-se ao equilíbrio ambiental e os petrodólares poderiam continuar movimentando a economia mundial sem representar um risco iminente à vida. Todo empresário da área industrial é obrigado por lei a tratar e destinar os seus efluentes. Por que a indústria petrolífera estaria dispensada dessa obrigação?

Antonio Germano Gomes Pinto é leitor do Celulose Online e escreveu o texto a partir da matéria “Prêmio Florestal de Jornalismo foi lançado na 72ª Expogrande”, publicada no portal no dia 25 de março de 2010. O autor é Engenheiro Químico, Químico Industrial, Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas, Licenciado em Química, Especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia, Geoquímico, Especialista em Gestão e Tecnologia Ambiental, Perito Ambiental, Auditor Ambiental e autor de duas patentes registradas no INPI, no Merco Sul, na UE, na World Intellectual Property Organization e em grande número de países.

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