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Por Candida Lemos
18/06/2010 - Quando o assunto é o desenvolvimento de negócios sustentáveis, o setor de celulose e papel no Brasil pode ser considerado como modelo. Esta visão defendida por executivos da Pöyry Tecnologia, empresa que oferece serviços de consultoria na área de engenharia e gerenciamento de projetos, mostra que o setor tem ido além do cumprimento da legislação ambiental em vigor.
O desenvolvimento de uma fábrica de celulose e papel como um negócio sustentável começa desde o projeto e concepção da nova planta. Segundo Marcel Moreno, diretor de papel e celulose da Pöyry Tecnologia, a empresa incorpora, desde a engenharia básica do projeto de uma nova fábrica, a ideia de sustentabilidade equilibrada.
“A ideia de sustentabilidade equilibrada que defendemos está fundamentada em três pilares: o ambiental, o econômico e o social”, diz Moreno. É baseado nesses pilares que a empresa busca inovar no desenvolvimento de novas fábricas em função das características de cada região.
“Temos em mente que o negócio que está sendo concebido deve ser economicamente viável para a empresa e a região onde está sendo implantado”, explica Marcel Moreno. É por isso que ainda na fase de engenharia conceitual são verificadas as necessidades, por exemplo, de se criar acampamentos para abrigar a população flutuante que passará a habitar a cidade, evitando assim impactos sociais.
“Temos consciência de que o setor de celulose e papel faz a lição de casa”, diz o consultor jurídico Ambiental da Pöyry Tecnologia, Pedro Piza. Segundo ele, a sustentabilidade é passada como um valor para os projetos e numa fábrica de celulose e papel todas as medidas de controle já são realizadas.
Projetos
Entre seus negócios mais recentes, a Pöyry atuou na concepção e implantação do Projeto Horizonte, que deu origem a nova fábrica da Fibria, em Três Lagoas. Recentemente, a Pöyry iniciou a concepção da fábrica da Eldorado Celulose, que também será implantada em Três Lagoas, no Mato Grosso.
Marcel Moreno explica que embora o pilar social da sustentabilidade seja o mais difícil para controlar, trata-se de um aspecto imprescindível destes negócios. Ele lembra que ainda na fase de implementação do Projeto Horizonte foi preciso desenvolver ações para acabar com a dengue, que era epidemia na cidade. Com a VCP e universidades locais foram criados mecanismos para acabar com o mosquito. Outro projeto social desenvolvido, juntamente com a Prefeitura, teve como objetivo combater a prostituição infantil.
“É por isso que ao iniciar cada projeto é feita uma avaliação da região onde será implantada a fábrica e do seu entorno. Começamos verificando a disponibilidade de espaço, a criação de acampamentos e até mesmo a oferta de cursos de capacitação, visando preparar a mão-de-obra local para trabalhar nas obras de construção e na fábrica, quando esta entrar em operação”, comenta Marcel Moreno, Diretor de Papel e Celulose da Pöyry Tecnologia.
Segundo o Consultor Jurídico Ambiental da Pöyry, Pedro Piza, os estudos ambientais são importantes também para verificar o nível de aceitação da população ao novo empreendimento. “Não nos limitamos a questões trabalhistas, mas a modos de vida, infraestrutura urbana, se existem vagas suficientes nas escolas, etc. Temos que estabelecer um diálogo positivo com as comunidades”.
Marcel Moreno afirma que grandes projetos, como o de uma fábrica de celulose e papel, costumam atrair para as cidades outros novos negócios, como a abertura de farmácias, padarias e outros pequenos estabelecimentos. “No entanto, sempre buscamos não criar na cidade falsas expectativas, já que a população flutuante de trabalhares uma hora irá embora”.
Para exemplificar o impacto social e econômico de um projeto deste porte, Moreno diz que a fábrica da Eldorado Celulose, que vai produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose no ano, com um faturamento anual de R$ 2 bilhões vai gerar um crescimento de 13% no PIB do Estado e de 300% na arrecadação da prefeitura da cidade. No PIB industrial brasileiro, este projeto representará um crescimento de 0,15%. “São empreendimentos significativos para o país, estado e cidade que os obrigará”, diz.
Eldorado Celulose
A fábrica da Eldorado Celulose, cuja pedra fundamental foi lançada no início desta semana em Três Lagoas, 338 quilômetros ao leste de Campo Grande, contará com investimentos da ordem de R$ 4,8 bilhões para sua instalação. A previsão é de uma produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano. A fábrica conta ainda com parceria com o frigorífico JBS para a produção de papel sanitário.
Toda a celulose produzida pela Eldorado, caso não seja concretizada uma parceria para produção de papel, será voltada ao mercado externo, tendo a China como principal destino. A madeira de eucalipto necessária para a produção da celulose virá de florestas plantadas pela Florestal Brasil, que tem a MCL Participações entre os sócios. Segundo Marcel Moreno, Diretor de Papel e Celulose da Pöyry Tecnologia, a maior inovação deste projeto está no fomento ao plantio de eucalipto por pequenos produtores, além da criação conjunta do eucalipto com a pecuária. Na área ambiental, ele explica que serão seguidos os mesmos requisitos internacionais usados em outras fábricas. “Este projeto será tão ou mais sustentável que outros já em operação”.
Celulose Online
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