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publicado em 24/06/2010
Setor de C&P deve ganhar 10 novas fábricas até 2020
Estes empreendimentos atingirão a capacidade produtiva de 20 milhões de toneladas de celulose

Da Redação

24/06/2010 - Com a retomada de projetos paralisados por conta da crise econômica mundial, o Brasil deve ganhar dez novas fábricas do setor de celulose e papel até meados de 2020. Juntos, estes empreendimentos atingirão a capacidade produtiva de 20 milhões de toneladas de celulose.

Na análise de Carlos Farinha e Silva, um dos maiores especialistas do setor de celulose e papel do país, vice-presidente da consultoria finlandesa Pöyry e membro do conselho da ABTCP, isso mostra que o Brasil está se firmando como um país de grande competitividade no mercado internacional de celulose de eucalipto.

“O país está usando bem suas vantagens, como domínio da tecnologia de fabricação, disponibilidade de áreas para cultivo do eucalipto e capacidade técnica e gerencial”, diz Farinha.

 Segundo o especialista, outros fatores também contribuíram para esta retomada de investimentos, como a melhoria do cenário econômico na América Latina e Ásia; e o terremoto no Chile – que provocou paralisação na produção e influenciou na alta dos preços mundiais da celulose.

 Após a parada das fábricas com o terremoto no Chile, em fevereiro deste ano, o mercado viu o preço da tonelada da celulose disparar para mais de US$ 900, em relação aos US$ 450 praticados em outubro do ano passado. De acordo com Farinha, “com a retomada da produção chilena esses valores devem estabilizar em US$ 800 por tonelada”.

 Somado a isso, Carlos Farinha e Silva aponta que o mercado europeu ainda não se recuperou totalmente da crise, já que os planos econômicos de socorro foram insuficientes.

 Com este cenário, o mercado mundial no setor de celulose e papel mostra uma bipolarização. “Enquanto a Ásia detém 80% da produção de celulose que teremos até 2020, a América Latina dominará 70% desta produção”, diz Farinha.

 Novas fronteiras

Ainda de acordo com Carlos Farinha e Silva, uma característica desta retomada de investimentos é a abertura de novas fronteiras, em outras regiões do país, que não somente no Sudeste e Centro Oeste. É o caso dos projetos da Suzano no Maranhão.

Apesar disso, o estado do Mato Grosso do Sul, em especial a região de Três Lagoas, ainda é a que mais tem atraído investimentos nos últimos anos, como as fábricas da International Paper, VCP e Fibria. Isso tem também, segundo Farinha, uma conotação ambiental, já que no caso de Três Lagoas, áreas de pastagem antes improdutivas estão sendo usadas para cultivo do eucalipto.

“Estes projetos acabam tendo também uma função social importante, pois geram empregos nas áreas florestal e industrial, além de melhorar a qualidade de vida”, diz Farinha lembrando estudos que mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano da região que recebe grandes projetos, como o de uma fábrica de celulose e papel, costuma aumentar. “Nem todas as indústrias têm esta capacidade”.

 Emprego e pesquisa

Com o projeto de novos empreendimentos, a previsão é de que mais de dois mil novos postos de trabalho sejam gerados pelo setor de celulose e papel, chegando a dez mil terceirizados no pico das obras.

De acordo com Carlos Farinha e Silva, é importantíssimo que o país se prepare para oferecer mão de obra qualificada para trabalhar nestes empreendimentos que estarão se instalando. “Um dos mecanismos para isso é ampliar a formação técnica, para que o setor consiga absorver estes investimentos. Isso deve ser feito juntamente por universidades e empresas”.

Farinha lamenta apenas que os jovens não vejam o setor de celulose e papel como uma indústria de ponta, até mesmo pelo fato das vagas de emprego serem, na maioria, no interior dos estados. “É preciso investir em treinamento, além de atrair os jovens para este segmento”.

Quando o assunto é incentivo à pesquisa, Farinha afirma que embora o setor esteja longe dos níveis ideais, as empresas estão se mobilizando e buscando parcerias com universidades e centros de pesquisa para este fim. “A recente compra, pela Suzano, da britânica FuturaGene (que trabalha no desenvolvimento genético de plantas para a indústria de produtos florestais) é prova da importância dada ao assunto”.

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